O golpista não ataca o aparelho — ele ataca a boa-fé de quem atende. Aqui estão os golpes mais comuns contra pessoas idosas no Brasil, como reconhecer cada um, e o que fazer se já aconteceu.
"Detectamos uma compra suspeita no seu cartão. Vou te passar para a segurança."
Ele já sabe seu nome e às vezes os últimos dígitos do cartão — foi assim que ganhou a confiança. Depois pede o código do SMS, ou manda um "motoboy" buscar o cartão. Saída: desligue e ligue você mesmo para o número que está no verso do cartão. Nunca no número que ele passou.
"Oi mãe, é o Pedro. Quebrei o celular, esse é meu número novo. Preciso de um Pix urgente."
Funciona porque mistura pressa com afeto — e o idoso não quer decepcionar o filho. Saída: ligue para o número antigo do filho antes de qualquer coisa. Combine em família uma pergunta que só vocês saberiam responder.
"Estou te mandando um código por engano, pode me reenviar?"
O código é a chave da conta dela. Entregando, o golpista assume o WhatsApp e passa a pedir dinheiro a todos os contatos. Saída: nunca repassar código de 6 dígitos, a ninguém. E ativar a confirmação em duas etapas no WhatsApp.
"O senhor tem um valor a receber do INSS. É só pagar a taxa de liberação."
Mira aposentado e usa o nome de um órgão público para parecer oficial. Saída: o INSS não cobra taxa para liberar benefício e não liga oferecendo empréstimo. Confira só pelo Meu INSS ou pelo 135.
"Fiz um Pix para a senhora por engano, pode devolver?"
Ou o comprovante é falso, ou o dinheiro veio de outra vítima e a devolução transforma sua mãe em parte do esquema. Saída: conferir o saldo no app do banco antes de devolver qualquer coisa — comprovante não é dinheiro.
"Sua encomenda está retida. Pague a taxa neste link."
Cresce em novembro e dezembro, junto com as compras. Saída: não clicar em link de mensagem. Abrir o site ou o app da loja pelo caminho de sempre.
Leia em detalhe sobre o golpe do falso funcionário do banco, o mais aplicado contra pessoas idosas — com o roteiro completo e o que dizer na hora da ligação.
Se o golpe foi por Pix e o dinheiro já saiu, as primeiras horas decidem: o que fazer nas primeiras horas.
A Vera é uma assistente que vive dentro do WhatsApp que seu pai ou sua mãe já usa. Não é aplicativo novo, não tem senha para decorar, não tem tela para aprender.
Quando aparece uma mensagem estranha, a pessoa manda uma foto da tela ou pergunta por áudio — e a Vera explica na hora, com paciência, se aquilo cheira a golpe. Se for grave, ela oferece avisar um contato de confiança da família.
O que a Vera nunca faz — porque isso está no código, não numa promessa:
A Vera responde na hora, com paciência infinita, todos os dias.
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